terça-feira, 10 de março de 2009

Magnólia

"- É amor de verdade? Aquele tipo de amor que faz você sentir uma alegria inatingível e seu estômago parece puro ácido e você vira uma pilha de nervos? E que faz você correr de dor e felicidade e se sentir irremediavelmente apaixonado?
- Você disse umas coisas sob efeito do álccol, meu rapaz. Mas acredito que seja esse tipo de amor."

segunda-feira, 9 de março de 2009

Avós

Minha avó tem rosto, jeito e cheiro de avó. Hoje eu senti um cheiro de avó, mas quando fui procurar de quem era, achei uma mulher de calça justa, blusa apertada com decote e um rosto de quem não podia sorrir.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Distância

Por que o tão longe não é aqui, perto da gente?

Calmaria

Tudo está tão calmo. A felicidade tão cobiçada reside dentro dela. Sempre senta para escrever contando suas tristezas, frustrações. Hoje senta para falar da tranqüilidade que sente. Sem emoções fortes e sem desejá-las, sem decepções. Calmaria. Já disseram que escritores são escritores devido ás suas dores. Pura verdade. Com essa brisa suave ela até esquece de escrever. Expor suas insatisfações é uma terapia. Não se precisa de terapia quando tudo está bem. Alguns fingem suas dores e produzem coisas fantásticas. Mas não ela. Hoje ela sentou apenas para registrar sua felicidade.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Amanda

amanda diz:
pra ficar no tema PAI & CÉU, o meu papis também costumava dizer sempre uma coisa. mas em contexto diferente. a frase cabalísica era : " você vai pra uma festinha no céu hoje" hahaha. isso era usado sempre que eu fazia uma coisa errada. era como uma repreensao. e dava medo. eu sabia que o tempo ia fechar pro meu lado. a vida nao era um ceu aberto naquele momento! amanda diz:
será que todos os pais do mundo utilizam frases de céu pra ensinar coisas aos filhos? hahaha ou é paranoia de familia?
bjos bibi

Pois ela não consegue comentar aqui, e tudo que ela fala, para mim, é de grande importância.
Amo você.

A vida não é um céu aberto

"A vida não é um céu aberto, Camila." Meu pai tem mania de dizer isso para mim. Tanto sério quanto só para me aperriar. Ele sabe que para mim a vida, é sim, um céu aberto. Ou talvez nem seja, mas eu prefiro pensar que sim. Acho melhor pensar que as coisas são fáceis, que não adianta complicar, que não é impossível conseguirmos o que queremos.
Minha mãe, por outro lado, diz que sou muito ingênua, que acredito demais nas pessoas. Pois eu prefiro continuar assim, acredito mesmo e ponto. Ninguém é inteiramente mal ou inteiramente bom, por isso eu escolho ter esperança de despertar o bom de cada um. Não vou me privar de me relacionar, de sair, de conversar, de me aventurar, por medo.
Por isso eu digo, que por mais difícil que pareça estar, acredite que a vida É um céu aberto.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Morangos, poeira e cansaço

Típico nordestino do sertão. Baixa estatura, pernas finas e ventre avantajado. Antônio da Silva, ou simplesmente Tonho. Cansara-se do sol escaldante, do chão seco, das poucas palavras, dos olhos semi-abertos, do trabalho pesado, da mulher magra. Acordou num certo dia e resolveu. “Partirei, aqui não fico mais.” Apesar do hábito, da convivência diária, saiu antes do sol nascer, sem se despedir da mulher. Botou uma blusa de linho branca, uma calça, um terço, e algum dinheiro numa trouxa. Andou, andou e andou um pouco mais. Sempre as mesmas casas de taipa, as mesmas pessoas cabisbaixas, os mesmo choros de crianças com fome. “Não chegaria nunca a lugar nenhum?” Já estava desistindo, no momento de virar o corpo para percorrer o mesmo caminho ao contrário, quando viu. Algo verde, muito verde. Essa cor não fazia parte da sua rotina, por isso parou. Arriscou chegar perto. Uns pontos vermelhos no meio daquele verde todo. Morangos. “Como podia um campo de morangos no meio de toda aquela poeira e cansaço?” Resolveu não pensar. Achara o que procurara durante toda a vida. A vida.