sábado, 6 de abril de 2013


            Com todos os remédios numa caneca, ela escreve. Amarelos, azuis, vermelhos e brancos. Não, não são borboletas. Ela escreve e pensa. Meu Deus, onde fui chegar, ela pensa, e escreve. Sempre fui tão otimista, aquelas retardadas que sempre pensam que a vida pode melhorar. Mas e se não? E se continuar essa mesma bosta gigante e fedorenta para sempre? Talvez fosse melhor parar por aqui. Sabe, acabar antes de piorar? Pode chamar do que quiser, nesse ponto ela está pouco se fudendo para o que pensam dela, penso eu. Cansou de ser um peso morto, de ser decepcionante, desapontante, nunca fazer o certo, nunca ser o orgulho de ninguém por tempo suficiente. Cansou de estar mais perdida que tudo e de a cobrarem que se ache. Ela vai, cega, pelo labirinto, tateando os muros, enquanto escuta os latidos dos cachorros raivosos que estão por perto. Ela sabe que se eles pudessem falar estariam dizendo: se ache! Se encontre! Quem você pensa que é pra ficar perdida no nosso território? Se ache ou nós vamos acabar com você. É, dramático. Talvez seja influencia da situação. Os remédios continuam ali. Por que diabos ela foi parar para escreve? Ninguém mais se importa. Estou sentindo cheiro de hesitação. Ela escuta o abrir e fechar das gavetas, mas sabe que ninguém vai entrar no seu quarto. Todos estão ocupados, e as decepções consecutivas que ela causa não valem uma ida até lá. Que fique claro que ela nunca matou, roubou ou se drogou...penso eu. O amor foi embora, sem perspectiva de voltar. Os remédios, ah, estes continuam lá. Ela repara em como ficou bonita a cena, eles jogados na caneca, aleatoriamente, coloridos. O amarelo é tão bonito. Acho que vai ser o primeiro que eu vou tomar, pensou ela e não eu. Eu tomaria o vermelho. Não me pergunte o porquê. Alguém me diz o que eu digo pra essa menina! Que vai passar? Não, não vai. Eu sei. Mas talvez ela possa conviver com isso ou se rebelar, ir embora. Mas ela só vai ficar mais sozinha do que já é. O amarelo é realmente bonito. Talvez devesse mesmo ser o primeiro.   

sexta-feira, 16 de março de 2012

"É uma pura invenção que existe"

“O diabo existe. É uma pura invenção que existe”. Foi exatamente esta frase que a professora de Escrita Criativa nos deu para que tivéssemos ideias sobre. Não especificou ideias para quê, só quis que, em lugares diferentes, nós pensássemos sobre ela. Saí da aula pensando que eu nunca conseguiria interpretar a frase através de cenas do meu cotidiano. Sempre fui uma pessoa muito otimista e, além de tudo, estou em Coimbra, uma cidade linda. Mas já que era um exercício para levar na próxima aula, resolvi tentar. Não parei em lugares específicos para pensar, preferi ir vivendo normalmente, e, quem sabe, no meio das minhas andanças pela cidade, uma ideia surgiria, e eu, com caneta e papel a postos, relataria o que eu pensei e em que lugar.

Desde o dia da última aula, já andei um bocado pela cidade, já vi muitas pessoas, mas não consegui ter ideias para a maldita frase. Aliás, só consegui pensar sobre uma parte específica dela “é uma pura invenção”. Isso mesmo, não passa de uma invenção. Foi somente isso que eu consegui apreender prestando atenção nas coisas ao meu redor. Talvez porque as pessoas aqui sejam educadas e solícitas ao extremo e todo dia eu me surpreenda com a gentileza de algum desconhecido. Ou porque enquanto caminho pela cidade vejo os bebês mais fofos do mundo, ou porque me encanto toda vez que passo por uma certa árvore coberta de flores, ou porque fiquei extremamente feliz em um dia que acordei e comi pão com ovo (é, intercambista fica feliz com muito pouco), ou porque eu aprendi a fazer meu próprio almoço. Ou, quem sabe, seja porque fico só sorrisos quando falo com meus pais no skype, ou porque comprei uma blusa linda por apenas um euro. É por tudo isso que eu penso que essa história de diabo não passa mesmo de uma invenção.

Estava pronta para chegar à aula sexta-feira e falar para a professora que eu simplesmente não consegui ter ideias relacionadas a frase toda. Mas então, quarta-feira, fui fazer um trabalho em um café perto de casa. Estava tudo indo muito bem: eu e mais dois amigos fazendo trabalho e tomando um café, vendo gente bonita, o clima estava bom e estávamos ouvindo músicas legais. Até que aconteceu. Do som do café, que, aliás, estava bem acima da nossa mesa, começou a tocar Roxanne, dos The Police. E foi então que eu me dei conta, essa invenção existe sim. E como existe. E sabe por quê? Porque tem alguém lá do outro lado do oceano, lá no Brasil, que vivia cantando essa música. E cantava com uma empolgação digna de quem está se apresentando para uma multidão. Ele cantava e eu ria. E foi então que eu tive uma ideia pra essa história toda de “pura invenção que existe”. Eu percebi que ela existe sim, e se chama distância.

sábado, 12 de junho de 2010

A flor no cimento


Ela simplesmente desistira. Já sofrera demais, já vira coisas demais que preferia nunca ter visto. Tudo isto a marcara de um jeito que ninguém imaginou; foi saindo de casa cada vez menos, foi ficando cada vez mais sozinha. Preferia assim, a certeza de nada de mal lhe atingir, a segurança. Passava tardes inteiras lendo. Tudo estava bem. Gostava de aprender, lia muito sobre tudo, sabia muito. Às vezes só queria ter com quem compartilhar todas as informações que possuía, mas se esse era o preço da segurança, tudo bem.
Ela tinha um único amigo no mundo, ele morava na mesma cidade que ela, mas nunca haviam se visto. Falavam-se através de cartas, já que nem telefone ela possuía. No dia que as cartas dele chegavam ela sentia uma alegria tão grande, e ia correndo respondê-las. Ele sabia de tudo sobre ela, os medos, as incertezas. Ele tinha outros amigos, saía, ia a universidade, não gostava muito de estudar. Mas ele via nela algo de especial, ele queria ajudá-la.
Certo dia, mesmo depois de muitos avisos de nunca ir a casa dela, ele foi. Tocou a campainha e esperou. Esperou, esperou e esperou. Ela estava do outro lado da porta, decidindo se abriria ou não a porta. Quem era aquele rapaz? O que ele queria? Por que viera perturbá-la? Depois de um tempo, gritou e perguntou quem era. E ele disse que era um amigo. Ela abriu a porta o suficiente pra deixar a mostra só seus olhos e seu nariz. Ele explicou o motivo da visita, precisava conversar com ela. Deixou-o entrar. Sentaram no sofá, e ficaram um tempo em silêncio. Ele começou falando sobre o fato dela não sair de casa, e ela disse que era melhor assim, tinha muita coisa ruim e feia lá fora. Ele disse que era verdade, que todas as pessoas do mundo vêm coisas horrendas, decepcionam-se, choram. Todos têm dias incrivelmente ruins, em que pensam que era melhor realmente não terem saído de casa. Mas, além disso, há os dias bons, aqueles que fazem as pessoas esquecerem os dias ruins. Os dias em que há gargalhada, amigos, amores, beijos, sorvete, cinema, flores, abraços, parque, mãos dadas, piada. Dias comuns que viram especiais por conta de algum elemento que muitas vezes não se dá importância, e ela estava perdendo. Ele disse que sabia que dentro de casa ela estaria segura. Segura e só. Ela estava perdendo o próprio viver, afinal, era nisso que consistia, nas tristezas e felicidades que nos faz ser quem somos. As tristezas e medos que ensinam tanta coisa, e as pequenas alegrias que mostram que muita coisa ainda vale à pena. Quanto tempo fazia que ela não via um bebê sorrir? Ou um casal de velhinhos andando de mãos dadas? Ela estava perdendo. Ela não via as coisas horrendas, verdade. Mas ela também não via as maravilhas. “No final de tudo, o que você contará, que passou a vida toda vendo a vida passar pela janela da sala?”
Ela demorou um pouco pra absorver todas aquelas idéias, ela levantou e foi até a janela. No muro da casa da frente uma florzinha nascia, no meio de todo o cimento, ela crescia. A menina então foi em direção a porta, abriu-a e saiu de casa.

domingo, 18 de abril de 2010

A menina da chuva

Ela tinha 19 anos e estava no terceiro período de jornalismo. Era até bonitinha, mas o que mais chamava atenção nela eram seus olhos, cor de chuva. Acinzentados, na exata cor do céu durante um temporal. Sua mãe lhe disse que ela nasceu no dia que mais chovera na cidade, todas as ruas ficaram alagadas; e ela achava que era por isso que a menina gostava tanto assim da chuva.
Quando era pequena e via as gotas caírem do céu, corria até a rua e ficava lá, pulando, dançando, até que a chuva acabasse. A mãe já perdera as contas de quantas vezes tinha acordado no meio de uma noite chuvosa e a menina não estava na cama, estava lá fora, tomando banho de chuva.
Agora ela não faz mais isso, mas a chuva mexe com ela. É só o céu ficar mais escuro que ela corre para a janela mais próxima; aquele cheiro a renova.
Ela sempre foi uma ótima aluna, quer dizer, dependendo da estação. No verão sempre tirava ótimas notas. Já no inverno a história era outra. A mãe já tinha tentado de tudo: psicólogo, mãe-de-santo, e nada. Quando a perguntavam o que acontecei no inverno, ela dizia que não sabia, que sempre foi assim.
Mas a verdade é que quando começa a chover, ela não consegue estudar nem fazer qualquer outra coisa. Ela simplesmente não conseguer pensar em desperdiçar aquele cheiro, aquele barulhinho, aquelo friozinho fazendo alguma coisa. Logo que a chuva começa, ela vai direto para uma janela sentir no rosto a chuva, depois, ela deita na cama e põe um filme, se continuar chovendo, ela lê um pouco, e se ainda continuar, ela apenas fica deitada, em silêncio, escutando as gotinhas na janela.
Depois de um certo dia chuvoso, ela foi a universidade, e o professor perguntou porque ela não tinha feito o trabalho que ele pedira para hoje. Ela parou, pensou e decidiu falar a verdade, então disse:
- Ontem choveu, professor.

segunda-feira, 29 de março de 2010




Eu tava com frio e ainda por cima resfriada, aí ele teve essa brilhante ideia de me aquecer. Mas é por essas e outras que eu o amo.

Feliz aniversário, pequeno :*

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ás vezes, enquanto eu estou distraída assistindo algo ou fazendo alguma outra coisa, ele fica olhando pra mim. Quando me dou conta e viro, lá está ele, quieto, só olhando. E é então que eu sei que eu não deveria estar em nenhum outro lugar do mundo naquele momento; ali, sob os olhos dele é o meu lugar.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sobre um sonho

Não lembro do comecinho do sonho, de onde me lembro eu estava numa escada, como aquelas escadas de prédio, escuras. Eu subia e descia freneticamente tentando achar meu apartamento, mas não conseguia, nunca chegava a lugar nenhum. A escada mudava, ás vezes parecia a escada de um prédio antigo e outras vezes de um prédio mais novo, mas independente disso eu nunca achava uma saída. Eu escutava as pessoas falando através das paredes, subia, subia e só via concreto em volta, aí eu descia, descia, e mais parede, aquelas escadas não levavam a lugar algum. Depois de muito subir e descer eu finalmente achei meu apartamento, era grande, com uma varanda enorme. Fui logo pra varanda. Era como se eu morasse no 30º andar, era muito alto. Eu olhava lá pra baixo, e além das piscinas do prédio, via um cavalo branco, lindo; algo parecido com um carrossel e uma árvore que parecia ter saído de um quadro. As folhas da árvore eram quase imateriais de tão leve, pareciam simplesmente pinceladas, e entre as folhas eu via vários pontos cor de rosa, flores. Havia um vento suave e compassado e as folhas da árvore iam de um lado para outro. Eu via aquela cena e tinha certeza que já a tinha visto antes, tinha certeza de que tudo aquilo estava exatamente certo, tudo se encaixava, tudo estava no seu lugar, tudo era tão lindo. De repente, meu deu uma vontade de pular. Não era bem uma vontade, era mais como algo que eu sabia que devia fazer, mas havia o medo, claro. Daí fechei os olhos, e quando abri, o cavalo branco não estava mais lá, havia outros, mas não o branco, e eu sabia que não poderia pular se ele não estivesse ali. Depois de um tempo ele apareceu, e entrou na piscina, aí eu soube que poderia pular e nada me aconteceria. Lembrei de um texto que li no curso de português sobre uma mulher que estava pra se jogar do prédio, e o texto dizia que quando ela se jogou, foi um dos melhores momentos da sua vida, ela se sentiu livre. Eu me joguei, e não tive medo, foi uma sensação maravilhosa, não parecia que eu estava caindo e sim que eu estava flutuando, planando. Cai dentro da piscina e lá estava um menininho, ele me lembrou alguém, mas eu não consegui saber de cara quem era. Ele me disse que aquilo tudo não era verdade, que nem ele era real, que cada pessoa o via de um jeito diferente. Daí eu percebi, ele era igual ao Mogli, o menino lobo, do desenho. Depois dele dizer que nada daquilo era real, eu perguntei se o sentimento foi real, se o que eu senti quando pulei foi verdadeiro e ele respondeu que não sabia. Então a piscina começou a diminuir, e eu acordei. Durante todo o sonho eu tinha esse sentimento de medo de não acordar, de ficar ali presa para sempre, é como se eu soubesse que estava dormindo, e quando acordei eu pensei: “Ufa, acordei!”.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Eu me boicoto

Eu me boicoto. Fato. Essa é a única explicação para minha incorrigível mania de complicar o que é fácil, certo. A gente passa a vida toda procurando o equilíbrio, perguntando-se quando tudo dará certo. A maioria das pessoas vibra quando alcança esse tão falado equilíbrio; eu, ao contrário, sinto-me presa, agoniada, afasto-me. Isso não é coisa de gente boa da cabeça, é como se o caminho, a dúvida me apetecesse mais que a segurança, o conforto. Tá, é bonitinho ser assim no começo, "a garota que não consegue se prender"; mas, depois de um tempo comecei a me perguntar qual era o meu problema, então, decidi que garotas como eu precisam de algo mais para se prender, muito mais, pois a gente sente mais, apesar de acreditarem que a gente sente é de menos. Então lá fui eu a procura do meu algo mais, procurei, procurei e procurei. Agora achei o que estava sempre ao meu lado. Ele é diferente, sabe. Ele é paciente, e eu também sou diferente ao lado dele. Com os outros eu nem pestanejava em botar um ponto final e sair leve, livre, com sentimento de missão cumprida. Com ele é diferente, ás vezes sinto a agonia de costume, mas aí percebo que esse meu jeito faz mal a ele. Por ele eu penso duas vezes, eu tento mudar. Ele escovou meus dentes, sabe. Num dia que eu tava com preguiça de ir até o banheiro, ele trouxe a escova e escovou meus dentes. Não é todo mundo que tem quem escove seus dentes. Aí eu lembro de tudo isso e percebo que já tá na hora de eu parar de boicotar minha felicidade, tá na hora de flutuar, deixar-se levar, não pensar tanto, não procurar problemas. Hoje acordei bem, pensando no quando ele me faz bem.

sábado, 9 de janeiro de 2010

São quatro horas da tarde e eu ainda estou de camisola, não fiz nada que se possa dizer produtivo hoje e tô com uma agonia sem fim. Odeio esses dias assim. Eu sei, eu sei, só depende de mim, mas parece uma sequência de coisas que fogem do controle e me fazem sentir assim, como se eu não pudesse interferir em absolutamente nada. Estou sozinha (perceba-se a diferença entre ser e estar) e isso já me dá um apertinho aqui por dentro, terminei de assistir Desejo e Reparação e isso me deu um nó na garganta, li muito, e dependendo do que eu leio começo a pensar, penso também por estar sozinha - se eu estivesse com um monte de gente estaria rindo, conversando e não pensando. E pensar pra mim é muito complicado, sempre termino com uma agonia maior ainda. E o livro que eu estava lendo tá aqui do meu lado, mas eu parei, fechei-o. Não quero mais nós na garganta nem apertinhos por aqui. Mas ele tá aqui, do meu lado, meio que pedindo pra ser aberto, e eu tô sozinha e não tem nada para fazer. Vou ler, to nem aí, eu sinto, e apesar de tudo é bom sentir. Vou ler até o nó desatar, ás vezes essas coisas acontecem, em quantidades grandes às vezes temos um efeito contrário do que esperávamos. Vou ler, ler e ler. Depois vou assistir a um daqueles filmes que fazem você querer ir direto pra cama, aqueles que fazem com que você não tenha vontade de falar com ninguém, aqueles que fazem você se sentir só, porque apenas você assistiu e está se sentindo assim nesse momento e nenhuma palavra caberia pra você tentar explicar qualquer coisa. Tô nem aí, vou fazer tudo isso, e depois encontrar com minhas amigas, rir de tudo, botar os papos em dia, e parecer que sou daquelas pessoas que não pensam sobre tudo, que não sentem demais.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Do dia em que não tive medo

É, eu sei que ainda não estou de férias...



Eu ouvi um “para sempre”, um “nunca nos separarmos”, um “amor da vida”, e quer saber? Eu não me assustei, nem um pouco, eu não hesitei nem um minuto, não fiquei com a garganta seca nem minha cabeça começou a girar a mil por hora planejando um plano infalível de sair dali. Não, dessa vez eu queria ficar, dessa vez eu até me permiti pensar sobre, eu me permiti acreditar. Pode ser que o nosso “para sempre” seja muito pouco tempo diante da eternidade, mas o que fica são as lembranças, e eu me lembrarei do dia em que eu não tive medo, do dia em que eu nem ao menos pensei sobre ter receio; eu apenas fiquei leve e consenti em sonhar, ser levada pelo sonho alheio para um lugar distante.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Agora só nas férias ;~

domingo, 22 de novembro de 2009

Do meu jeito de dizer que gosto de você

Mila Monteiro diz:
entendii ;]
eu só sei que você me faz bem
que eu gosto de estar com você
que a gente se entende
que eu sinto sua falta
e que você é especial pra mim ;x

sábado, 14 de novembro de 2009

Sobre o meu medo

Eu que escrevo sobre arriscar-se, não ter medo do desconhecido, de parecer vulnerável; eu que escrevo sobre dizer “eu te amo”, tenho medo. Eu não havia percebido como meu medo é grande. Meu medo de ficar vulnerável dizendo tudo que eu sinto misturado e confuso aqui dentro faz-me parecer uma mentirosa. Eu percebi que vendo a imagem do dizer-tudo-que-se-sente-a-qualquer-hora-e-pra-quem-for, mesmo fazendo o contrário. Mas eu defendo isso sim. Acho lindo, e se você me pedir um conselho é isso mesmo que eu vou dizer. Mas há alguma coisa aqui dentro que me impede de agir assim; acho que nunca disse nem a uma terceira pessoa que já amei; para falar a verdade eu não sei se já ou não. Esse tal de amor sempre deixo meio no banco de reservas quando tento falar de sentimentos, não porque eu não ame, amo sim, amo muito; é só porque às vezes não sei reconhecê-lo.
Tenho medo que as pessoas percam o interesse em mim como eu costumava fazer. O máximo que eu disse a quem eu mais gostei, foi: “-Eu acho que gosto de você.” É, foi triste.
Nos filmes sempre fazem parecer que a mulher que é assim tem um ar misterioso que deixa todo mundo louco, mas não é realmente desse jeito; descobri que esse medo impede as pessoas de também demonstrarem seus sentimentos. Já disseram que eu sou meio fria, mas não sou. Aqui dentro tem tanta coisa, tanto amor, tanto carinho.
Vou tentar, a partir de agora, esquecer do medo, e deixar transbordar todo bem querer que há em mim.

sábado, 31 de outubro de 2009

“Agora te escreverei tudo que vier a minha mente com o menor policiamento possível.” C.L.

Pois é, estou mais velha: 19 anos. Ah, eu acho 19 anos tão blá, não tem a empolgação dos 18, nem o medo dos 20. 19 anos é tão perdido no tempo, tão “não sei quem sou nem o que vou fazer da minha vida” (embora essa dúvida perdure, em muitos casos, por toda a vida). 19 anos é desejar com todas as forças poder passar uma tarde de dia da semana jogada no sofá assistindo TV, mas não poder porque tenho que estudar, ir à universidade, ir ao inglês, etc, etc, etc. 19 anos também é farra, é ter amigos mais que especiais, sem os quais os 19 anos não teriam a mínima graça. 19 anos é ter entrado na universidade e ter conhecido pessoas realmente boas. Espero saber aproveitar bem esse ano, pois daqui a pouco minha velhice não vai caber nos meus dedinhos.
Mudando de assunto, já que não devo mesmo me policiar, muito menos me preocupar se um assunto tem ligação com o outro, eu estava pensando esses dias no destino. Elaborei mais ou menos uma teoria: inventaram essa história de destino por medo. Medo de saber que se não tivessem se atrasado 5 minutos a vida poderia ter sido diferente. Só é parar e pensar, quantas pessoas você conheceu em situações que se você tivesse feito uma coisinha diferente não seria assim? Será destino? Ou um emaranhado de possibilidades e oportunidades que a gente vai seguindo como num labirinto? Mas talvez no fim desse labirinto todinho a gente encontre mesmo o danado do destino. Não sei. Só sei que eu seria outra pessoa se não tivesse vivido o que vivi, se não tivesse assistido aos filmes que assisti nem lido aos livros que li, muito menos se não tivesse conhecido as pessoas que eu conheci. Só não sei se eu seria melhor ou pior, talvez o melhor seja não pensar nisso. Gosto de mim assim, eu acho. Mas me dá um apertinho pensar que há um mundo de possibilidades, e quando você escolhe uma delas, está perdendo todas as outras. Será que se agora ao invés de estar aqui escrevendo eu estivesse na rua, conheceria o amor da minha vida? Não sei. Talvez quando eu terminar aqui eu vá dá uma espiada pra ver se ele ainda está lá.
Eu tenho que tomar banho, lavar o cabelo, fazer hidratação, ir ao salão, arrumar meu quarto, passar as fotos, terminar o filme que eu comecei ontem, ler um pouquinho, fazer exercício do inglês...ai, queria tanto poder parar o tempo. Esse malandro tá correndo tão depressa ultimamente. A gente já tá praticamente em novembro! Isso me assusta de um jeito inimaginável, saber que tudo tá passando tão rápido, e eu me sinto na obrigação de aproveitar ao máximo. Quando começo a tentar me imaginar daqui a uns 10 anos, não sei nem por onde começar. Será que vou casar, ter filhos? Será que continuarei morando aqui? Será que terei os mesmos amigos de hoje? Em quê vou trabalhar? Não sei. Só o tempo vai dizer. Apenas espero não chegar aos 40 anos e me arrepender de não ter feito tudo que eu queria fazer. Quero viajar muito ainda, muito mesmo; quero conhecer gente, de todos os tipos, tamanhos e cores; quero aprender muito; quero ler trilhões de livros e assistir a mesma quantidade de filmes; quero saber falar francês fluente; quero continuar rindo de tudo. Quero ser feliz, oras.

domingo, 25 de outubro de 2009

Água Viva

"Mas eu denuncio. Denuncio nossa fraqueza, denuncio o horror alucinante de morrer - e respondo a toda essa infâmia com - exatamente isto que vai agora ficar escrito - e respondo a toda essa infâmia com a alegria. Puríssima e levíssima alegria. A minha única salvação é a alegria. Uma alegria atonal dentro do it essencial. Não faz sentido? Pois tem que fazer. Porque é cruel demais saber que a vida é única e que não temos como garantia senão a fé em trevas - porque é cruel demais, então respondo com a pureza de uma alegria indomável. Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou - apesar de tudo oh apesar de tudo - estou sendo alegre neste instante-já que passa se eu não fixá-lo com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta. Amor impessoal, amor it, é alegria: mesmo o amor que não dá certo, mesmo o amor que termina. E minha própria morte e a dos que amamos tem que ser alegre, não sei ainda como, mas tem que ser. Viver é isto: alegria do it. E conformar-me não como vencida mas num allegro com brio."
C.L.

sábado, 10 de outubro de 2009

Solidão [3]

Ontem eu decidi ser sozinha. Pelo menos por uma noite, uma noite minha, só minha. Filme romanticozinho com choro no final, céu estrelado, contemplação. Sentar em frente ao espelho para tentar se achar, ver-se por inteiro, achar algo escondido por dentro do castanho dos meus olhos. Do que eu gosto? De quem eu gosto? Quem eu quero ter por perto sempre? O que me faz bem? A quem eu quero bem? Eu sei de algumas coisas, já as outras escapam pelas minhas mãos. Estou em constante mudança; entre um piscar e outro já não sou eu mesma, uma metamorfose ambulante, como diria Raulzito. Diante dessa dinamicidade do ser eu me perco, penso se não seria melhor ser estática; vontades, gostos, amores, idéias sempre os mesmos. Mas não, aí não teria graça, prefiro mudar, sempre. Entre uma gargalhada e outra há minha tristeza. Entre uma lágrima e outra há minha alegria. Entre os meus tantos eus há você. Mas eu não sei se você teria paciência para decifrar todas as minhas faces, saber quando eu só quero você por perto me abraçando; ou quando eu não quero o silêncio, quero que você fale e fale sobre tudo, sobre o mundo, você, eu, nós. Devido a essa dificuldade, deixo você ficar do meu lado sem me decifrar, acho que no final das contas sou indecifrável. Se você decifra o meu eu hoje, amanhã já não sou a mesma. Deixo você ficar sem entender, mas aí tem que sentir. Sentir vale mais, muito mais. Se não sente, vai embora, mas se sente, vem pra perto. Eu sempre te procurei, porque além de você entre os meus eus há também a solidão. E a você que eu ainda não sei quem é, peço que venha logo, vem me fazer ser eu junto com você, porque nessa noite só minha eu percebi que não gosto tanto assim da solidão.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Um só

Eram jovens. Conheceram-se há um ano. No instante de um olhar eles souberam que se pertenciam. Foi rápido e mágico. Obra-prima do destino. Desde então ela era dele e ele era dela. Eles não se importavam em não serem donos de si. Era bom ter alguém com quem dividir o pesado cargo de ser. Ele era ela e ela era ele. Como nunca foram ninguém antes. O mundo duplicou e se uniu. Eles juntos eram um só. Ela o respirava e ele a respirava. Nunca antes necessitaram tanto de alguém. Não suportavam a falta de ar causada pelo não-estar-junto-sempre. Eles agregados eram melhores, mais fortes do que jamais foram. A eternidade não parecia suficiente para tanto amor. Depois de um tempo veio a notícia: ele iria embora, para longe. O mundo parou, mas não o tempo suficiente para ela absorver o significado daquilo. Como ela seria sem ele? Ela viveria vazia e incompleta para sempre? Ele voltaria? Não sabendo nenhuma das respostas, fizeram um juramento: viveriam os dois meses seguintes como nunca antes, aproveitariam cada piscar, cada sussurro, cada inspiração, cada bater do coração do outro. No começo foi assim, o carinho já imensurável aumentou mais um pouco. Mas de repente, ela mudou. Não ria mais como antes, tornou-se fria e distante. Teria o amor acabado? Aquela situação o matava aos poucos. Ao final os dois perderam o brilho no olhar. Aquela áurea de gente completa e feliz sumira. Até que um dia, ao final de um melancólico passeio pela praia, ele a puxou e perguntou: “- Por que você está fazendo isso comigo?” O desespero na sua voz era quase palpável, era pesado. Não agüentando a carga do desespero dele, ela sentou, ficou de cabeça baixa e chorou. Esvaiu-se nas lágrimas de uma vida toda, de uma dor toda. Após os soluços disse: “– Eu estava tentando me acostumar com minha vida sem você. Estava tentando ser triste desde agora. Estava perdendo meu norte, meu chão, meu tudo. Estava me habituando a ser eu mesma sem você por perto.”Aquela noite foi a mais bela e triste que eles já tiveram. Dormiram juntos, abraçados. Choraram a tristeza dos dois, a mesma que não os faria esquecer um do outro.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

No meio do caminho

No meio da vida. No meio do tempo, do espaço. No meio da rua. No meio da praça. No meio da chuva. No meio dos carinhos; quem sabe, no meio do amor. No meio da paixão. No meio do seu sorriso peralta. No meio do arco-íris. No meio do sorvete. No meio da música, do filme, do livro. No meio do meu escrever e do seu ouvir. No meio da euforia, do frio na barriga, da vontade incontrolável de rir. No meio das minhas roupas, dos meus livros, meus discos. No meio do mar, da lua. No meio do céu estrelado. No meio das cobertas, do chocolate quente. No meio da determinação, da atenção, do ter cuidado. No meio do mundo. No meio de tudo. No meio do nada. No meio do caminho, espero lhe encontrar.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Just tired

Cansei. Cansei das minhas coisas se tornarem passado antes mesmo de se tornarem futuro. Cansei de tudo meu acabar antes mesmo de começar. Cansei das possibilidades de algo maior se encerrarem no primeiro capítulo. O que é? Eu não mereço? Eu acho que mereço sim. Mereço o que há de melhor, mereço mãos dadas, beijos na nuca, olhares apaixonados, declarações no meio da tarde, sorvete no domingo, cinema na sexta. Eu mereço, e desejo tanto. Estou sem forças, sentindo-me em uma segunda feira em pleno sábado. Não, não é exatamente por ele, só o conheço há uma semana. É o perceber que desde o começo do ano, tudo acaba assim, de repente, evapora na minha frente. E eu não entendo, mas há algo me incomodando aqui dentro, procuro palavras, mas não as encontro. Fecharam a porta. Encerraram qualquer possibilidade. Logo para mim, que crio expectativas com tudo. Talvez esse seja meu mal, mas é assim que os sonhadores são. Passam 5 minutos pensativos e já fizeram a trajetória de uma vida toda, com uma casa no campo e um cachorro no quintal. Eu sou assim, e logo comigo, fecharam a porta.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

UP - Altas Aventuras


Ellie não precisou viajar até aqui, América do Sul, para viver grandes aventuras; ela viveu todas as aventuras em uma vida banal ao lado do seu amor de infância.























Acho que estou pronta para viver grandes aventuras.